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Caciques social-democratas: meros oligarcas

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Ontem a novela de auto-destruição do PSDB teve mais um capítulo quixotesco. Aécio Neves - o acuado sob graves denúncias que deveriam lhe convidar à profunda e silenciosa reserva - destituiu o atual presidente do PSDB, Tasso Jereissati. É lastimável assistir a essa pantomima grotesca, para aqueles que algum dia - como eu - tiveram alguma simpatia pela agremiação... a quem se interessar por análises a respeito, convido a ler isso  e isso . Esses senhores rastejaram para disputar a sucessão no partido que administra o estado de São Paulo e que ainda mantém alguns centros de poder, mas esquecem-se - como sempre fizeram - do voto popular e da necessidade de existir no país alguma oposição inteligente (em contraponto ao que Bolsonaro ou PT fazem nos dias atuais). O baixo nível da discussão, a ausência de oxigenação das agremiações, a péssima envergadura moral dos que as lideram, tudo isso deixou de causar espanto e ajuda a entender para onde irá o país em 2018. Começo a cons...

Soviéticos: 100 anos de fracasso

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Acima: Stálin, Lenin e Kalinin, fundadores (dentre outros) do império soviético. Nos últimos dias, muito se tem falado do que foi e é a Rússia.  O projeto soviético visou impor o Materialismo Dialético a milhões de pessoas. O que efetivamente fez foi criar uma máquina industrial de matança e sofrimento, mais perversa que aquela denunciada por Marx e Engels, bons observadores das agruras da Revolução Industrial. Os anos de 1921 e 1922 marcaram para sempre o fracasso da União Soviética. A poderosa propaganda totalitarista - denunciada por Hannah Arendt e Arthur Koestler - tentou fazer o mundo esquecer que nesse período entre 5 e  10 milhões de ucranianos e soviéticos de outras regiões (os números nunca foram calculados com certeza, seriedade, mas relatos são inúmeros) pereceram de fome. O canibalismo, nessa época, tornou-se praticamente comum naquela terra que passou a ser amaldiçoada desde que a era dos czares acabou, em 1917. Koestler conta muito bem em sua obra ...

Novas dimensões internacionais

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Definitivamente, o mundo atual é bilateral. O multilateralismo representado pelas instituições originadas em Bretton Woods e a ONU estão em franca decadência aos olhos dos países mais influentes do mundo. Aí se inclui a tardia OMC, que desde 2001 patina em busca de prestígio e exclusividade para questões ligadas à governança comercial global. O mundo em desenvolvimento pugna pelo multilateralismo. O problema é que, ao terem obtido voz e dominarem razoavelmente os métodos de diálogo, seu peso majoritário nas instituições multilaterais tem servido não apenas ao benéfico movimento de nações pobres ou em desenvolvimento se fazerem ouvidas. Elas tem adotado políticas ideológicas e, como seria natural, trazem consigo, ao assumirem maior responsabilidade na cena internacional, sua própria cultura que é marcada pelo autoritarismo, descuido com o interesse coletivo e insensibilidade para questões diplomáticas. O leitor está bastante familiarizado com Trump, que mais parece um elefante na ...

J&F, JBS, medo, impunidade e um enorme silêncio

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Dez anos atrás cheguei à conclusão que minha geração não vai fazer o país subir de andar... Na verdade, segundo ouço, vejo e sinto, o país desceu um andar... ou alguns andares nos anos petistas-pemedebistas. Eu não estou perseguindo o Henrique Meirelles. Quero deixar isso bem claro. Sou um zero à esquerda no cenário político brasileiro. Sou atento, mas uma voz independente e isolada que de vez em quando tenta emitir opiniões  para melhorar a reflexão à partir do Canadá e das minhas andanças brasileiras.  Choro pelas mazelas que acometem esse país que acolheu, de braços abertos, meus antepassados imigrantes (como quase todo mundo que lá mora, fora o povo indígena). Mas voltando ao Henrique: acho que ele tem atributos e qualidades incríveis, só que sinto-me obrigado a desconfiar demais. Já escrevi isso com todas as letras nesse post . Por quê não devo confiar nele? Os irmãos donos da JBS estão presos e ameaçando delatar, fazer qualquer coisa prá abraçar de novo seus ...

O Brasil quer administradores, advogados e professores

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Que ciências exatas o quê! Que engenharia e medicina, que nada! O censo recente diz que o brasileiro quer gestores, advogados e... professores! Veja por si mesmo: O Sisu nada mais é que um sistema de seleção unificado, onde estudantes aplicam para cursos visando serem admitidos nas universidades Brasil afora. As preferências acima demonstram que, diferentemente de países desenvolvidos, mais notadamente países asiáticos, o brasileiro não quer virar médico ou engenheiro, mas administrador... Não tenho elementos científicos para interpretar os números acima, mas tenho palpites. O primeiro deles é: a carreira de administrador é a mais versátil hoje em um país assolado por solavancos econômicos, políticos e sociais. Isso significa que o estudante percebe que, se possuir o título de administrador, seu canudo lhe permitirá trabalhar em uma quase infinidade de indústrias, setores e locais... afinal, todos precisam de alguém para administrar gente e coisas. O que...

Os donos do Brasil não se escondem, nem se intimidam.

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A oligarquia funcional (no sentido de dominante no âmbito da gestão pública), os novos-poderosos, utilizando das técnicas e linguagem dos velhos-poderosos desse país, continua tomando-o de assalto para benefício de seus próprios currais. Já havia me referido a isso de forma direta e afiada  nesse post , quando examinei o papel das oligarquias e dos coronéis no comando de regiões e, finalmente, da nação. O fenômeno continua igual, apenas mudando-se nomes e métodos. As ações recentes do Procurador Geral da República, caricaturado nesse post , publicando, a conta-gotas, revelações dos administradores da JBS fazendo ameaças veladas aos Ministros do STF, são mais uma demonstração de que a mentalidade oligarca é o que realmente destrói o país. Aliás, os Batista não podem ser chamados de donos da JBS, pois são meros laranjas do grupo de poder que administrou o Brasil até recentemente e do BNDES, aquele banco que cria bilionários jogando fora recursos do pobre povo brasileiro, mas qu...

Desigualdade econômica é sinônimo de imobilismo social

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Um dos argumentos que pesa muito para jovens serem favoráveis a idéias como comunismo ou socialismo é que, sem dinheiro no bolso, eles gostariam de usufruir da riqueza que enxergam no mundo dos outros, geralmente dos mais velhos e de nível sócio-econômico superior. Quanto mais desigual economicamente for a sociedade, maior o apelo desse discurso distributivista da juventude que, na verdade, deseja apenas perpetrar um furto dourado, romantizado. Se uma sociedade é mais igualitária, menos desequilibrada na distribuição da sua riqueza, haverá espaço e conforto para todos, inclusive para aqueles que desejam navegar na escala social. É o que ensina esse artigo , cujo gráfico abaixo é a melhor representação. O sentimento de revolta que contamina indivíduos que se percebem incapazes de saírem do determinismo de sua condição social e econômica é a grande causa da desarmonia social. O comunismo não é a solução a nenhum problema em virtude do seu dogmatismo e caráter ditatorial, mas ...

Educação continuada entre fundamentos e técnica

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O mercado de trabalho pode ser extremamente cruel, especialmente para com desatentos e acomodados (mas não exclusivamente para estes), independentemente de sua idade. O modelo antigo e antiquado de aprendizado visava a obtenção de um diploma, pelo qual o ofício aprendido era atestado por algum tipo de entidade certificadora. A profissionalização tem origem nas corporações de ofício, organizadas sob autorização imperial em que a reserva de mercado era garantida e sua violação punida com extremo rigor. A diplomação é um resquício das corporações de ofício, pois se por um lado atesta que uma pessoa cumpriu créditos e teve notas suficientes confirmando ter aprendido algo, por outro lado é uma barreira diferenciando quem tem formação formal daquele que conhece o ofício na prática. Seria uma falácia dizer que uma profissão se reduz a um diploma. Talento, vocação, sensibilidade e tantos outros atributos fazem um (bom) profissional. Imigrantes qualificados sofrem muito com o formalismo...

Já que o Rio não reage, reagem por ele?

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A situação dramática pela qual passa o Estado do Rio de Janeiro demanda intervenção externa, mas não é por aí... O Rio é o que se chama de estado falido, tradução literal do FAILED STATE. Não diz respeito apenas a dinheiro, pois o termo FALÊNCIA, nesse caso, cobre todos os aspectos da vida carioca e não apenas o financeiro (um dos pilares do problema). A violência havia falido o Rio muitos anos atrás, mas como o dinheiro do petróleo e os investimentos com jogo isso, jogo aquilo (Panamericanos, Olimpíadas, Copa do Mundo...) faziam a economia girar, os bandidos tinham renda certa. Com a quebradeira econômica, o bolo ficou muito pequeno para bancar a bandidagem, esta acuada com as ações pacificadoras em favelas. Como bandidagem incluo parcela da polícia, como aquela que matou a juíza que havia descoberto o esquema de um grupo e os perseguiu à letra da lei. Resultado: mais violência, muita pressão sobre todo mundo. Bandido passou a ser exigido a produzir mais lucro aos chefões,...

Um lesa-pátria que não prestou contas de seus atos

Quem opta pela função pública deve responder por seus atos.  Quem comete atos de má-fé, cruéis, subversivos, desagregadores, assume o peso das consequências. Não iria publicar mais hoje, devido a afazeres profissionais e acadêmicos, mas a notícia me veio expedita e preciso lembrar algo, antes que esfrie. Hoje morreu Marco Aurélio Garcia. O ideólogo por trás do Foro de São Paulo, melhor expressão do mau-caratismo da esquerda ditatorial latino-americana, partiu sem pagar a conta. Ele deslocou o Brasil para se alinhar a revolucionários islâmicos visando destruir o modelo de sociedade ocidental, onde estivesse. Sujeito inteligente, altamente manipulador, teve razoável êxito em suas iniciativas, além de fiéis macacos de auditório. Eu escrevi esse post sobre esse sujeito, que merecia ter sido estudado e julgado pelos seus crimes de lesa-pátria, junto com seus parceiros no crime: Lula, Dilma e outros que ainda estão vivinhos da silva, articulando a desarmonia na região, que...

Aumentando impostos no Brasil: necessidade, escolhas e desinteligência

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Há anos se diz o que viria a ser inevitável: sem reduzir o custo da máquina, mais impostos serão necessários.  Em outras palavras: quebraram o Brasil. Anunciam-se hoje aumentos de impostos, PIS, COFINS, etc. mas também algo acontecerá com o imposto sobre doação e herança (chamado ITCD em MG). Deve chegar a 12%, pulando muito para cima se avaliada a situação atual, com divisão para federação e estados, buscando melhorar um pouco as contas desses dois (refresco passageiro, prá "inglês ver"). O custeio corrente tem matado as unidades da federação, incapazes, no geral, de investirem em melhorias ou mesmo na manutenção de serviços básicos.. O tal ITCD (vários estados usam nomenclatura parecida a essa) é um imposto chato, antipático, difícil de cobrar e cuja arrecadação, segundo estudos da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, não vale o esforço. Eu já tinha descrito minha visão algum tempo atrás sobre impostos nesse POST , que teve uma boa lei...