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Clamor à normalidade

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  Na escala de necessidades, as pessoas precisam de alimento, abrigo, serem úteis por meio de uma ocupação e, a partir do momento em que dispõem de certa tranquilidade dentro da dignidade, almejam prosperar.   A evolução pode se dar por meio do aprimoramento de um ofício, de uma ocupação, inclusive por meio de estudos e da obtenção de conhecimentos, muitas vezes representados por um diploma.   Até recentemente, estudar era quase uma garantia de melhores salários, já que entender melhor o mundo e ampliar os conhecimentos permite enxergar coisas que a maioria das pessoas não enxerga ou não consegue organizar, gerando uma vantagem competitiva para cargos melhores ou postos decisórios.   O diploma, no entanto, jamais foi garantia de melhores empregos ou salários. Ele pode abrir portas, mas não garante o desempenho que só vem do conhecimento real — e não de um pedaço de papel.   O mundo é um lugar fascinante, repleto de complexidades que geram imensas oportunidades e...

Aparelhamento da ditadura travestida

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  Não bastassem os escândalos da libertação de Lula, por seus ex-advogados e aliados políticos na suprema corte, para que concorresse à presidência, o furto do INSS, o do Banco Master, além dos conhecidos Mensalão e Petrolão, o aparelhamento da justiça não conhece fim. Em breve, um tal  Bessias , assim chamado o menino-de-recado da ex-presidente Dilma, por meio de manobras como aquela que enterrou o relatório da  CPI do Crime Organizado  (em que o presidente do Senado, em colusão com o chefe do Executivo, alterou de última hora os membros mediante canetada garantindo que nada fosse investigado ou ministros do STF indiciados por seus aparentes crimes) será entronado no tribunal mais importante do país. Sua fidelidade canina ao projeto de poder - e de assalto ao país - das oligarquias políticas que hoje lhe dominam é mais do que suficiente para garantir que passe pela pantomima em que se tornou a outrora “sabatina” do Senado. Instituições vão por água abaixo, quando sã...

Brasil é África

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  (republicado do blog Substack 17/02/2026) Retrato do extrato populacional O censo brasileiro de 1872 revelou dados que influenciariam o país muito além apenas dos 100 anos seguintes. Foi a bússola que definiu a estrutura de poder, social, econômica e geográfica do país. A fórmula ainda persiste. Naquele momento, o Brasil tinha quase 10 milhões habitantes: 10% dos quais apenas residindo em cidades. O Brasil era rural, absolutamente ignorante, subserviente, com 1,5 milhão de escravos (cuja importação da África havia acabado com a  Lei Eusébio de Queiroz  em 1850) e quase 6 milhões de pretos e pardos miseráveis, em sua maioria esmagadora. Os 38% dos brancos no país, à época, estavam longe de serem apenas senhores de engenho. A maioria era pobre. O problema - em uma época em que atuais círculos pseudo-intelectuais de bastante influência reputam ter sido ocupado por povos indígenas (menos de 4% da população à época) ou escravos e ex-escravos - não era, ou é, a etnia. A etnia...