Os assessores de Trump parecem não entender o Canadá e o Brasil
O estilo ousado e confrontador do 47º presidente pode ser muito eficaz ao lidar com regimes radicais e apoiadores do terrorismo. No entanto, a mesma abordagem está se mostrando contraproducente — e até prejudicial — quando aplicada ao Canadá e ao Brasil.
No Canadá, o governo Trump desperdiçou uma oportunidade valiosa. Em vez de permitir que o Partido Liberal, então liderado por Justin Trudeau, entrasse em colapso devido aos seus próprios fracassos, os EUA adotaram uma postura agressiva que permitiu que a mídia alinhada ao governo se unisse em torno de uma narrativa odiosa de "nós contra eles". Isso ajudou Mark Carney e um pequeno círculo íntimo a consolidar o poder usando estratégias antidemocráticas muito questionáveis. O resultado foi o distanciamento desnecessário do aliado e vizinho mais importante dos Estados Unidos — um país agora cada vez mais alinhado com regimes autoritários e comunistas, para o desgosto de muitos jovens canadenses.
Um erro de cálculo semelhante está ocorrendo no Brasil. Apesar das amplas evidências de corrupção envolvendo o Centrão (o poderoso bloco parlamentar que rotineiramente mantém governos como reféns e permite a continuidade de um Supremo Tribunal Federal ativista e ideológico que prende dissidentes), o alinhamento visível do governo com a família Bolsonaro está se mostrando contraproducente.
Ao se envolver publicamente com figuras como Flávio Bolsonaro, os EUA indiretamente conferem credibilidade a políticos que alegavam ser anticorrupção (e foram eleitos por isso), mas que, na verdade, iniciaram o desmantelamento da heróica Operação Lava Jato. Isso permitiu que bilhões em fundos recuperados fossem devolvidos ou perdoados com base em decisões judiciais questionáveis, beneficiando os mesmos grupos que apoiam Lula e Flávio.
O problema central não é apenas a falta de informação, mas sim uma falha de visão estratégica. Os assessores de Trump parecem subestimar o quanto essas medidas alienam grandes segmentos das populações brasileira e canadense — justamente em um momento em que o governo está conquistando importantes vitórias em política externa, notadamente no Oriente Médio, na Venezuela e em Cuba.
Ainda há tempo para corrigir o rumo, especialmente no Brasil.
O governo Trump se beneficiaria ao se distanciar dos Bolsonaros e dos interesses consolidados do Centrão, ambos historicamente focados em priorizar o clientelismo político em detrimento da boa governança. Exercer forte pressão sobre o crime organizado brasileiro, supostamente ligado a partidos de esquerda, também seria útil.
No Canadá, o caminho mais sensato não é apoiar e condenar abertamente políticos ou partidos, mas sim reforçar com serenidade a parceria estratégica e econômica natural entre os Estados Unidos e o Canadá, por meio de incentivos. Ao destacar as falhas tangíveis da gestão liberal — desconectada das reais necessidades e aspirações dos canadenses — os EUA podem fortalecer os laços com o próprio povo canadense, em vez de com qualquer governo transitório
