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Mostrando postagens de 2024

Dilema desnecessário: entre apatia e ativismo

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Em uma era em que a lente de aumento parece ser a regra para enxergar e enquadrar todas as relações, resultado da exponencialização da raiva (e em medida muito limitada, do amor) promovida pela hiperconectividade, muitos parecem tentados a assumirem posições radicais: alienarem-se ou virarem ativistas. Lembro-me bem, durante minha campanha política fracassada, que qualquer um que gostasse de cachorros, bicicletas, a natureza ou corridas deveria se auto-denominar ativista para gozar de credibilidade nas convicções que emitia, segundo o folclore. É certo que há valores comuns na sociedade como um todo, garantido manter-se coesa, mas a idéia da defesa "radical" de bandeiras, sejam boas ou más, é ruim e deve ser sempre considerada como marginal. A razão da manutenção necessária do estado de  marginalidade do ativismo advém do fato que sempre a maioria esmagadora das pessoas terá pouco interesse, pouco ou nenhum conhecimento das matérias tão caras aos tais ativistas (ONGs, grupo...

Um mundo capitalista e feminino: o futuro visível

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Pouco me importo com pautas identitárias ou sectarismo, já que acredito - e sou fruto dela - na meritocracia. Minha geração é anterior ao "politicamente correto" e negamo-nos, salvo exceções dogmáticas de alguns desorientados, a nos censurarmos para agradarmos à horda ignorante. A ascensão feminina ao mundo formal do trabalho é uma conquista relativamente recente. Mulheres sempre tiveram diversos turnos de trabalho, sempre foram incessantes na labuta, seja no campo, bem como nas tarefas domésticas partindo do período do mundo rural ao urbano.  O lado multi-tarefa é eminentemente feminino, como estudos científicos comprovam. Homens são melhores em objetivos pontuais, mas afirmar isso categoricamente seria criar estereótipos e ser reducionista, o que não cabe em uma era em que não mais se discute existirem qualidades "ditas" femininas e masculinas em todos os seres humanos. A revolução dos costumes no ocidente ocorreu notadamente após a mulher passar a controlar a nat...

Ativismo Judicial, codinome da ditadura da toga

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Transcrição do Editorial publicado nessa data pelo jornal GAZETA DO POVO com título: BARROSO CONFESSA O ATIVISMO JUDICIAL Em 12 de outubro, participando de um evento bancado por empresários brasileiros em Roma, o presidente do STF, Luis R. Barroso , chamou a ideia de que existe “um grande nível de ativismo judicial ” de “mito” que ele “gostaria de desfazer”. Um mês e meio depois, ao abrir o julgamento sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o mesmo Barroso deixou escapar, com ares de magnanimidade, a confissão de que o ativismo judicial é bastante real. “O tribunal aguardou, por um período bastante razoável, a sobrevinda de legislação por parte do Poder Legislativo. Não ocorrendo, chegou a hora de decidirmos essa matéria”, afirmou. Não poderia haver definição melhor de ativismo judicial, vinda da boca de um dos seus principais defensores. Afinal, de que “sobrevinda de legislação” estaria Barroso falando, já que o Marco Civil da Internet existe desde 2014? N...

Genocidas: dados históricos

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Um esclarecimento para os desinformados ou mal-informados, especialmente aos Antissemitas (sejam intencionais ou úteis-idiotas) que falam irresponsavelmente em "Genocídio" que desejam falsamente atribuir a Israel após o país ter sido invadido pelo braço armado palestino em 7 de outubro de 2023. Abaixo, listo alguns ditadores mais notórios da história recente, que se destacam pela brutalidade e pelo rastro de sangue que deixaram (e continuam a deixar) por onde estiveram ou ainda andam.  Sim, muitos ainda têm apoiadores, não apenas nos seus calabouços, mas também no Ocidente: 1. Mao Tsé-Tung (China)    - Período no Poder: 1949-1976    - Estimativa de Mortes: 45-70 milhões de pessoas    - Métodos: Coletivização forçada, fome (Grande Salto Adiante), expurgos políticos (Revolução Cultural)    - Vítimas: Cidadãos chineses, especialmente camponeses, intelectuais e opositores políticos    - Impacto: As políticas de Mao, especialmente o Gra...

Fake News 2.0 - eles não aprenderam nada, ainda

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 Há menos de dois meses escrevi esse post sobre as notícias falsas plantadas por parcela comprometida da imprensa, aquela desonesta e dependente de mentiras para manter-se na superfície e relevante, utilizando-se dos piores estratagemas para desvirtuar a democracia e destruir reputações. A imprensa, como regra geral, tornou-se crime organizado, especializada em extorquir favores. Várias denunciaram o fato como as ex-jornalistas Melanie Philips (ex-The Guardian), Bari Weiss (ex-New York Times), Sharyl Attkisson (ex-CBS), Liz Wahl (ex-RT America), Paula Schmitt e tantos outros de envergadura, excelentes profissionais que resolveram livrar-se da toxicidade das editorias tomadas por agentes políticos e extremistas. Teve também casos de assédio sexual, como com Megyn Kelly, bem retratado no ótimo filme Bombshell . Na América Donald Trump ganhou triunfalmente as eleições norte-americanas, tendo sido esmagadoramente vitorioso não apenas no colégio eleitoral, mas também no número ab...

Trump, mídia: por Guzzo

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Jornal Estado de S. Paulo  Por J.R. Guzzo 09/11/2024 | 09h00 “Encerrada a eleição presidencial nos Estados Unidos, com a vitória de Donald Trump, uma das perguntas fundamentais a ser feita é: como foi possível os americanos escolherem, em eleições livres, um candidato maciçamente descrito como fascista, ou nazista, um psicopata terminal que vai impor uma ditadura e declarar a Terceira Guerra Mundial? Resposta: nada disso, nunca, fez o menor nexo. O Trump que a esquerda, as classes civilizadas e os cientistas políticos inventaram simplesmente não existe. O que existe é uma óbvia maioria que não quer o que essa gente quer, não tem mais paciência com as suas posturas irracionais e não acredita em nada do que dizem. O problema, no mundo das realidades, não é Trump. São eles. Estão vivendo, e não só nos Estados Unidos, dentro de um sistema de pensamento e de ação que trocou o raciocínio lógico pelo fanatismo das crenças. É uma espécie de Islã mental. Você tem de acreditar em vez de pens...

Dissociação da realidade e a urgência nacionalista

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O título é pomposo, até eu tendo me assustado quando escrevi... mas alegoricamente e com humor é necessário entender as coisas do mundo com olhar atento, sem perder a capacidade de sorrir. A busca pela alma - ou em inglês, soul searching - na qual passaram a se embrenhar centenas de jornalistas, acadêmicos e analistas políticos, após a derrota acachapante de Harris/Walz para Trump nas eleições norte-americanas, é um exercício meramente aparente, fútil , já que a realidade é - e estava - tão óbvia  que nem toda a manipulação midiática do mundo conseguiria alterar . Passei esses dois últimos dias entre afazeres profissionais, acadêmicos e domésticos, regojizando-me na leitura das teorias quânticas elaboradas por personalidades do andar de cima  desejando explicar como é possível que a maioria absoluta dos eleitores votaram na figura "abominável" de Trump. Esses experts demandam-se como o eleitor americano deixou de votar em um partido que, para esse pessoal delirante, traduz ...

A força da democracia a despeito da propaganda

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A vitória de Trump revelou várias coisas, como inúmeros artigos divulgam. A perdedora disse que lutará pela defesa da democracia... Qual democracia?   Aquela que só é válida se o partido de esquerda ganha, descreditando e desumanizando qualquer pessoa ou grupo que não seja seu próprio espelho?  Aquela que a linchou eleitoralmente revelando a inépcia da candidata, a despeito de um opositor nada politicamente correto que jurou lutar até a vitória com energia de adolescente?  A retórica mentirosa transformou o partido democrata de JFK em sombra e ruína do que havia sido no passado. Aquele enorme capital político e de credibilidade foi jogado no lixo há vários anos.  Sucumbiram os democratas aos caciques da simulação, da manipulação das emoções dos eleitores para os piores propósitos. E a mentira tem pernas curtas. A retórica divisiva de Obama e Hillary, manda-chuvas que transformaram a Casa Branca em seu quintal, sua cozinha, operando subrepticiamente para ganho pe...

Unidos na polaridade: alienação legitimada?

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Os Estados Unidos se transformaram, com seu vigoroso histórico de independência, em fonte de inspiração para movimentos democráticos nos últimos 250 anos, mundo afora. A idéia de uma pujante república norte-americana influenciou profundamente a França a seguir no mesmo caminho, produzindo-se então a sangrenta Revolução Francesa e a Declaração dos Direitos do Homem, duas décadas depois do surgimento dos EUA. Da mesma forma, países ao sul, na América Latina, menos de um século depois, iniciariam seus processos de independência e busca da auto-determinação. Mais de meio milhão de vidas foram perdidas na guerra civil norte-americana, que opôs o sul ao norte, 90 anos depois da independência. A nação dividida ideologicamente, plúrima, aprendeu a ser funcional e a prosperar mediante um forte federalismo em que cada estado manteve sua autonomia legislativa, política e fiscal. A Segunda Grande Guerra criou movimento unificador norte-americano, impulsionando a indústria e o espírito empreendedor...

Supremo Tribunal Federal do Brasil necessita profunda reforma

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  STF não passa no seu teste de integridade (transcrição) Por Conrado Hübner Mendes “Se alguém produzisse relatório periódico do colapso ético da conduta de ministros do STF, as últimas semanas não decepcionariam. Os episódios não repercutiram porque a magistocracia, no final, vence pelo cansaço. Se essa é das leis mais estáveis da história do patrimonialismo brasileiro, difícil manter motivação para lutar contra ela. Gilmar Mendes reconduziu, por liminar monocrática, presidente da CBF ao cargo. Há duas semanas, votou pela manutenção da decisão. O IDP, empresa da qual o ministro é sócio, e que organiza encontros político-advocatício-empresariais, gere operação lucrativa da "CBF Academy". Se você fizer curso na "Academy", parte do recurso vai para o IDP. Honrosamente, Barroso e Fux se declararam suspeitos no caso da CBF. Mas Fux, menos honrosamente, ao lado de seu filho advogado, participou do "Forbes Power Dinner", sediado na casa de sócio do "Nels...

Virtude e coragem

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Em um mundo com muito barulho, em que maciça presença dos meios de comunicação transformaram o próprio meio em mensagem, pode faltar clareza sobre os valores que importam à sociedade para que se mantenha funcional, harmônica. TRANSTORNO DISSOCIATIVO PATOLÓGICO Ouvi recentemente a belíssima peça teatral Dr. Jekyl and Mr. Hyde , inspirada no Médico e o Monstro (1886) de Robert Stevenson, narrada no link acima por nada menos que o magnífico Sir Laurence Olivier, retratando a dicotomia entre o lado bom e o lado malévolo dos seres humanos. Como na peça, a  dissociação da personalidade constitui curiosidade geral. Não se limita apenas às ciências psiquiátricas, criminal ou jurídica.  Imputar responsabilidade a pessoas por atos horríveis que cometeram ou que continuam cometendo crimes exige compreender o nível de consciência que as levou ou continua a levar a cometer tais atos horríveis. Transpondo a questão aos dias atuais, mediante maior desenvolvimento da compreensão da psyché h...

Construindo elites

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Antigo ditado já dizia: " cercar-se de anões não te faz um gigante ". Na sequência desse ditado, diz-se ainda que " somos a média das 5 pessoas com quem mais convivemos " . É muito importante sabermos escolher com quem convivemos, pois ainda há o velho adágio " diga-me com quem andas, e te direi quem és ". O mesmo deve ser  aplicado a gestores, públicos e privados. Se tenho um problema de saúde, buscarei tratar-me com um especialista, médico que tratou diversas pessoas com o mesmo problema. Essa conclusão parece óbvia: busca-se o melhor tratamento por quem conhece a moléstia na prática e certamente a estudou e a estuda, mantendo-se atualizado. Acredito que buscar tratar-se com alguém que apenas estudou um assunto, com altíssimas notas acadêmicas, mas que jamais teve prática, jamais conviveu com pessoas que sofrem da moléstia que precisa ser tratada, não seria a preferência de pessoas razoavelmente conscientes de que mérito suplanta em muito a formação acad...

Fake News

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 A venda da verdade absoluta, anunciar o poder da revelação, de enxergar o que os outros não enxergam e assim tornarem-se relevantes sempre foi uma tentação aos oportunistas e desonestos, bem como aos parasitas de regimes políticos ilegítimos. Ouvi falar em Fake News , pela primeira vez, durante a campanha de Donald J. Trump à Casa Branca em 2016.  Eu já nutria desconfiança em relação às notícias publicadas em jornais, sobretudo porque tive uma passagem de vida perto dos holofotes e de personalidades públicas em minha infância e adolescência. Na minha Belo Horizonte natal, eu sabia que, por detrás das fotos e notícias de jornal, havia realidades muito diferentes, muitas tragédias escondidas sob sorrisos e anúncios falsos. Isso foi transposto à mídia social e o fake , o mentiroso, ainda persiste, projetando miragens distanciadas da realidade, mentiras criadas especialmente para destruírem reputações, prejudicar pessoas, falsear eleições, limitar idéias e, sobretudo, parasitar o...