A nova federação: SP, MG e Alberta na mesma luta.
Se você teve a curiosidade ou oportunidade de ler meu post sobre o momento atual sendo adequado para uma discussão sobre um novo pacto federativo no Brasil, saiba que o assunto não está sendo discutido apenas para o Brasil.
A nova premiê de Alberta, Danielle Smith, no Canadá, deu uma excelente entrevista para o Jordan Peterson e você consegue ouvi-la nesse podcast do Spotify ou no link youtube abaixo.
Ela deixa bastante claro que, enquanto o governo federal do Trudeau sabota o desenvolvimento e fontes de energia fóssil responsáveis daquela província, essa ao mesmo tempo é obrigada a transferir montanhas de dinheiro para Ottawa e outras províncias (inclusive que também boicotam Alberta), com muito pouco em troca à exceção de dificuldades e sabotagem.
O dilema real vivido por Alberta é indicação que a federação canadense, várias vezes mais eficiente e onde províncias (estados) são bem mais independentes para decidirem seu destino do que no péssimo modelo brasileiro, permite-se questionar o desequilíbrio político e econômico experimentado entre províncias (equivalente a estados no Brasil) e o governo central federal (cuja cidade de Ottawa é a capital).
A província de Alberta fez um plebiscito e mais de 63% da população votou por cessar os repasses para Ottawa, saindo do cálculo da perequação onde o governo central arrecada valores e depois os devolve para cada província segundo cálculos econômicos e populacionais. Como era de se esperar, Ottawa deu de ombros, mas Alberta não ficará de braços cruzados.
A pergunta que a premiê de Alberta traduziu em plebiscito foi a seguinte: se o governo de Ottawa não nos deixa gerir nossa indústria extrativa, vender nossos produtos impedindo que sejam construidos oleodutos e gasodutos passando por territórios federais para escoar produção, mas continua usando nosso superávit para financiar um governo que nos boicota e sabota, por quê não revermos o pacto federativo?
O Brasil tem distorções econômicas e políticas imensas, concebidas por concentradores de poder em Brasília, causa fulcral da disfuncionalidade gritante de uma democracia em decadência, representada recentemente pelo resultado catastrófico das eleições de 2022.
Veja os dados do tesouro para entender para onde os 3,5 trilhões de reais arrancados pelo governo federal de cada estado, por ano, estão indo. Constate como isso distorce a realidade, gerando um desequilíbrio de forças insustentável, justificando que populistas fomentem a pobreza eterna localizada, que apenas lhes aproveita.
Apenas um novo pacto federativo conseguirá soltar diversas amarras artificiais que escravizam boa parte da população e das empresas que contribuem para a criação de riqueza e prosperidade nacional.