Canadá: ideologia totalitária exige fidelidade e humilhação pública

Há, no Canadá, por influência e tácita (eventualmente, explícita) ordem de luminares do Partido Liberal, a determinação de promoção do auto-ódio a todos os canadenses e, sobretudo, àqueles de etnia européia (os que desenvolveram e fizeram o país prosperar, tais como franceses e ingleses).

A materialização dessa determinação absolutista se corporifica no discurso obrigatório, em qualquer cerimônia pública, sobretudo acadêmica, de submissão à idéia de que os povos originários não autorizaram a ocupação do território habitado pelas aglomerações urbanas, ou o local em que tal cerimônia pública acontece.


A origem de tal procedimento é conhecida, não exigindo grande criatividade. É evidente a falta de imaginação dos ideólogos totalitários de hoje. O que há é apenas uma metamorfose da prática hedionda, como veremos.

A saudação obrigatória "Ave César", punível com a morte aos romanos e estrangeiros insubordinados na Velha Roma, serviu de inspiração aos ditadores modernos.

A Inquisição promoveu espetáculos similares, como os Autos-da-Fé. Essas eram cerimônias públicas solenes, teatrais e religiosas, organizadas para anunciar sentenças, humilhar hereges e reafirmar a ortodoxia católica. O espetáculo grotesco confirmava o poder da Igreja sobre tudo e todos, ameaçados pelo fogo do inferno (ou pela fogueira bastante concreta que se seguia ao espetáculo, como foi o caso de Joana D'Arc).

A humilhação pública dos insubmissos continuou sendo repetida por tiranos, encontrando ainda representação no temível Heil Hitler! A ausência de pronta saudação era severamente punida, com a morte imediata aos que não demonstravam absoluta submissão ao partido nazista e à sua ideologia genocida, destrutiva.

Com base em pura observação de imigrante vivendo há 17 anos no Québec, arrisco dizer que o espetáculo grotesco de Declaração de Território Não-Cedido nas cerimônias públicas inspira-se especialmente em Stalin.

A maioria dos ideólogos do partido no poder federal  no Canadá alinha-se ao espectro marxista, sobretudo às suas variantes posteriores. São discípulos fundamentalistas da seita denominada pós-modernismo (Derrida, Foucault, Barthes e outros sabotadores da civilização, como gosto de me referir a esses sujeitos), pouco conhecida em profundidade, mas alardeada como a maior esfregada na lâmpada do gênio desde a invenção da roda, sobretudo nos meios acadêmicos (e pelos acadêmicos que, pretensiosamente, arriscaram-se na liderança política e do país).

O ditador genocida soviético promovia cerimônias elaboradas para confirmar seu poder absoluto, conhecidas como Grandes Expurgos. Tais confissões públicas de culpa e traição integravam o espetáculo macabro ao qual dissidentes deveriam submeter-se, sem entretanto ser-lhes dada garantia de afrouxamento da repressão contínua ou morte sob tortura.

Stalin também praticava sessões de auto-crítica (chamadas de Samokritika), em praça pública ou privadamente, onde o objetivo era destituir indivíduos de qualquer agência, autonomia, controle sobre sua própria vida ou pensamentos.

As palavras de ordem são a tônica da humilhação individual e coletiva irresistível, pela força, aos insubmissos ou futuro submissos.

Ao obrigar, por exemplo, estudantes a recitarem a tal Declaração de Território Não-Cedido, professores, diretores e reitores reiteram uma aceitação social e acadêmica apenas mediante submissão à sociedade totalitária que idealizam.

Assim fazendo, aqueles que possuem posição de poder e influência, como professores e autoridades acadêmicas, ajudam a enfraquecer jovens e retirar-lhes o próprio valor, culpabilizando-lhes desde a tenra idade pela mera existência, já que não há conexão entre o crime que são obrigados a confessarem e a realidade.

O mais absurdo desse delírio totalitário é que, especialmente em Montreal, basta viajar meia hora para visitar uma cidade vizinha em que um povo originário prospera vendendo cannabis, explorando cassinos, restaurantes e campos de golfe, comprovando o exagero da ideologia imposta.

Ao obrigarem estudantes, professores, funcionários de entidades públicas, associações, a se auto-humilharem publicamente, autoridades e os ideólogos totalitários exigem a ignorância da realidade, dos fatos que nos cercam, intimidando-nos sem qualquer pudor ou culpa.

Por essa razão é necessário encerrar, de imediato, a submissão a esse espetáculo abusivo, totalitário e desagregador da sociedade canadense. 

Qualquer tentativa de silenciar a denúncia do absurdo atual, da explicação de se tratar de prática totalitária stalinista comprovará dito antigo: se não pode ser contestado, questionado, é porque visa apenas humilhar, dominar, submeter, anulando o indivíduo e seu espírito livre

E assim, ao se perpetuarem esses autos-da-fé universitários, dos entes públicos, indivíduos inventivos e criativos estarão condenados à uniformidade de uma seita totalitária.

Mais lidos

Beauvoir, Maxwell, Sartre e Epstein

Demência ou mau-caratismo?

O banditismo dos Bolsonaro